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Shavuot - Pentecoste

                                                   Nascimento Espiritual da Igreja

                                                     Por  Edward Daniel Brotsky

UM DIA SANTO CRISTÃO TEM UMA ORIGEM JUDAICA

O CUMPRIMENTO DA PROMESSA DE DEUS.

Os cristãos celebram anualmente uma Festa Judaica chamada Shavuot ou Pentecoste. Por quê?

Porque um evento maior na história judaica ,que se tornou uma benção universal para toda a espécie humana, aconteceu no Templo em Jerusalém durante a Festa da Colheita ou também chamada Pentecoste.

Era o primeiro dia da semana, domingo, no calendário romano ,24 de Maio, no ano de 33 A.D. Era também o ano 3.790 no calendário hebraico. Sábios cristãos assinalam esta data deste histórico Pentecoste em Jerusalém como o “nascimento espiritual da igreja”. ( Fausset’s Bible Dictionary, pp.360-362,557; Josephus,p.381)

Para entender os eventos que aconteceram naquele dia, devemos, inicialmente, examinar o significado da festa em si. Deus havia ordenado a Israel um calendário sagrado de três festas maiores que deveriam ser observadas como um estatuto perpétuo para vossas gerações em todas as vossas moradas”( Lv 23:14,21,41 ; Dt 16:16,17).

Elas eram a “Páscoa, a Festa dos Pães Asmos”; segundo, “A Festa das Semanas”- também chamada “Pentecoste” que é uma transliteração grega da palavra hebraica que significa o “50   dia ” quando a festa era celebrada( Lv. 23:15,16). E  a terceira era a “Festa dos Tabernáculos”.

A Páscoa marcava a primeira colheita da primavera. Os primeiros frutos da messe ou “omer” de cevada eram exigidos pela Torah ser apresentados antes ao Senhor na Casa de Deus, como Ação de Graças (lv.23:10,11)

Do dia seguinte,  sete  semanas  ou  49 dias eram contados para a colheita do trigo.(Lv 23:10,11). 

No “50 Dia “- “Pentecoste ou Shavuot”- um outro culto de ação de graça pela colheita era observado na Casa de Deus. Neste tempo, das primícias do trigo, dois pães cozidos com fermento eram trazidos ante o Senhor”, num ato de ação de graça ( Lv 23:16,20) .

Estas três festas marcaram a História de Israel no processo de sua redenção.

Estas festas foram também proféticas e tipificaram a redenção maior que viria através do Messias.

Existe uma certa relação entre a Páscoa e Pentecoste.

A“Festa dos Pães Asmos- marcou a emancipação física de Israel da escravidão no Egito (Ex 12;17).  “Pão sem Fermento” - Matzot- na realidade, uma total abstinência de fermento , fosse sólido ou líquido,  era ordenada por Deus por toda a semana da Páscoa, de acordo com o capítulo 12 de Êxodo, verso 20.

O sangue do cordeiro nos umbrais das portas dos israelitas foi o fator de redenção naquela histórica noite da primeira ceia da Páscoa. Para lembrar este evento de redenção, cordeiros pascais eram sacrificados a cada Páscoa até que o Templo de Jerusalém foi destruído no ano 70.

Quando o Messias veio, o apóstolo Paulo escreveu aos Coríntios: ”O Messias, nosso cordeiro pascal, foi sacrificado por nós”. Portanto, os crentes foram exortados a manter a Páscoa da Nova Aliança ou a Ceia do Senhor  ”não com o fermento da malícia e maldade ,mas com o pão não levedado da sinceridade e verdade”               (I Co 5:7-8).

Pentecoste se opõe ao ritual da Páscoa na Casa de Deus. Pentecoste destacava “dois pães cozidos com fermento” feitos com as primícias da colheita do trigo . Estes dois pães eram trazidos ante o Senhor num gesto de ação de graça( Lv 23:15-20). Animais selecionados, como cordeiros, touro ou carneiros, eram também sacrificados no ritual de Pentecoste.

Fermento - tornou-se tradicionalmente um tipo da natureza humana pecaminosa. Os rabinos falam da “yezes ha-Ra”- que é “a inclinação má na natureza do homem desde o seu nascimento”.( Encyclopedic Dictionary of Judaica,pp.281,636)

Saulo/Papulo, que foi discípulo de Gamaliel da Escola de Hillel, quando apóstolo Paulo, fez um paralelo  espiritual em relação ao fermento ou “hametz”: “Lançai fora o velho fermento....o fermento da malícia e da maldade”(I Co 5:7-8).

Há um significado simbólico para os dois pães cozidos com fermento - são simbolicamente a espécie humana pecaminosa - tanto gentios como judeus - como as Sagradas Escrituras afirmam ( Sl 14:22-3 ; Rm 3:9-10,23).

Na Festa de Pentecoste, quando o povo ia ao Templo e oferecia os pães cozidos com fermento das primícias da colheita do trigo, era um ato de ação de graça pela colheita da agricultura, uma “promessa” da profecia  se cumpria. Séculos antes, o Eterno havia dado aos profetas de Israel a  promessa de enviar o Espírito Santo/Ruach Haqodesh - para as vidas dos judeus crentes. Ezequiel anunciou que Deus “poria seu Espírito sobre a casa de Israel”.

                        Dar-lhes-ei um só coração, espírito novo porei dentro deles; tirarei da sua carne coração de pedra, e lhes darei um coração de carne, para que andem nos meus estatutos...”Ez 11:19,20.

O profeta Zacarias recebeu a mensagem de Deus de como o Messias da Casa de Davi morreria por nossos pecados : “E sobre a casa de Davi, e sobre os habitantes de Jerusalém, derramarei o espírito de graça e súplicas; olharão para mim, a quem transpassaram...”Zc 12:10

Naquele dia haverá uma fonte aberta para a casa de Davi e para os habitantes de Jerusalém, para remover o pecado e a impureza.”Zc13:1

O profeta Joel profetizou que Deus prometia “derramar o Seu Espírito sobre toda a carne “- uma esperança para os crentes de todas as nações! Jl 3.1. Estas promessas quando cumpridas introduzirão uma nova qualidade de vida e um novo estilo de vida na sociedade.

Durante o ministério terreno de Jesus “o Filho de Davi”(Mt 1:1 ; Rm 1:3 ; II Tm2:8, Ap5:5), Ele confirmou a promessa do Pai a seus discípulos.

“...o Espírito Santo, a quem o Pai enviará em meu nome, esse vos ensinará todas as coisas...ele vos guiará a toda a verdade”Jo 14:26 ; 16:13. E antes do Messias subir aos céus voltando ao Pai Celeste, Ele afirmou uma última vez:

“...e, determinou-lhes que não se ausentassem de Jerusalém, mas esperassem a promessa do Pai, a qual , disse Ele, de mim ouviste...mas recebereis poder ao descer sobre vós o meu Espírito, e sereis minhas testemunhas tanto em Jerusalém , como em toda a Judéia e Samaria, e até nos confins da terra.” At 1:4,8

MILHÕES DE PEREGRINOS ASSISTIAM A FESTA

Lucas, o médico historiador, no livro de Atos dos Apóstolos, capítulo 2 , recorda este evento histórico:

Quando o dia de Pentecoste( significando Shavuot)  chegou( 120 discípulos -At 1-15) estavam todos reunidos  num mesmo lugar; de repente veio do céu um som, como de um vento impetuoso, e encheu toda a casa onde estavam assentados. E apareceram, distribuídas entre eles, línguas como de fogo, e pousou sobre cada um deles. Todos ficaram cheios do Espírito Santo e passaram a falar em outras línguas, segundo o Espírito lhes concedia que falassem . At 2:1-4

Lucas posteriormente descreve os lugares de onde os peregrinos vinham para a Casa  de Deus, o Templo, em Jerusalém. Eles eram ”judeus e (gentios) convertidos ao Judaísmo”. At 2:8-11

A Cidade Santa de Jerusalem com uma população então de cerca de 600.000 habitantes, segundo Cornelius Tacitus , o historiador romano registrou, explodia para 2 ou 3 milhões devido ao número de peregrinos. Os peregrinos dormiam nos terraços das casas, acampavam fora dos muros de Jerusalém, recebiam hospitalidade dos parentes e amigos, e distanciavam da Casa de Deus até “uma jornada de um dia de sábado “.

A presença dos peregrinos em Jerusalem durante as três maiores festas era em obediência à Torah como Deus ordenara a Moisés:

Três vezes ao ano, todo varão entre  ti aparecerá perante o Senhor  teu Deus, no lugar que escolher...Dt 16:16

Era o zelo santo de judeus e  prosélitos para estar na Cidade Santa e para entrar na “Casa Santa “de Deus, e celebrar  religiosamente os rituais destas festas.

Os discípulos estavam reunidos secretamente no cenáculo onde Jesus havia realizado a última ceia até o dia de Pentecoste, estavam felizes por estarem próximos da “casa“ de Deus e por estarem ”todos juntos num mesmo lugar “.

O QUE ACONTECEU NO “TEMPLO”OU NO “CENÁCULO”?

É curioso ver que esses 120 discípulos permaneciam no cenáculo enquanto milhões de peregrinos realizavam uma dura caminhada somente para estar na  Casa de Deus, em obediência à Torah.

Os discípulos se impressionavam com o próprio zelo de Jesus para com a Casa de Deus, e Seus freqüentes ensinamentos  junto às colunas colunas do Templo.

  ... Está escrito: A minha casa será chamada casa de oração para todas as nações; vós,  porém, a transformais em covil de salteadores.( Mc 11:17 ; Mt 21:13; Lc19:46 ; Jo2:16-17)

Todos os peregrinos eram acostumados a cantar os “Cânticos dos Degraus” do livro de Salmos, enquanto subiam para a Cidade Santa. Alegrei-me quando me disseram: Vamos à Casa do Senhor.(Sl 122:1)

Todos os discípulos eram judeus de fé, como também o eram os gentios convertidos ao Judaísmo. Mesmo após Pentecoste - após sua transformação espiritual e iluminação, nós lemos que eles continuaram indo diariamente ao Templo. At 2:46

Freqüentemente Jesus falava do Templo como :“A Casa de Meu Pai “(Jo 2:16). Quando Jesus se lamentou sobre Jerusalém quando previu sua destruição, Ele clamou em relação ao Templo, dizendo: “Eis que a vossa casa vos ficará deserta. Declaro-vos, pois, que desde agora já não mais me vereis, até que venhais a dizer: Bendito o que vem em nome do Senhor! Mt 23:38-39

Haviam lugares e assentos para a acomodação de artesãos ao redor das Cortes dos Gentios e das Mulheres. Os homens hebreus reuniam-se em assembléia na Corte de Israel, enquanto suas mulheres se encontravam na Corte das Mulheres. Entretanto, os discípulos estavam juntos no mesmo lugar...no cenáculo, o templo ( The Temple-Its Ministry and Services at Time of Christ - Alfred Edersheim)

Em duas ocasiões dramáticas, durante a vida de Jesus, o povo de Jerusalém e os oradores do Templo, tiveram a experiência de sinais sobrenaturais. Quando o Messias dava Sua vida para nossa expiação , dentro do Templo  o véu -Parochet- defronte o   Santíssimo Lugar “se rasgou em duas partes, de alto a baixo”.Mt 27.51

Então, em Shavuot - Pentecoste - enquanto os oradores ofereciam os dois pães cozidos com fermento em ação de graça à Deus , “veio um som forte, como de um vento impetuoso, e encheu a casa onde estavam assentados”.

O DOM ESPANTOSO E REVOLUCIONÁRIO

2-1- A MENSAGEM E O SEU RESULTADO FENOMENAL

Os discípulos de Jesus aparentemente nunca tinham viajado para fora da Palestina, nem aprendido as línguas citadas em Atos, capítulo 2. Os discípulos eram, evidentemente desconhecidos da maioria, se não de todos, os peregrinos, para as multidões  os ouvirem , exclamaram :...Não são, porventura , galileus todos esses que aí estão falando? E como os ouvimos falar, cada um em nossa própria língua materna. ... as grandezas de Deus? At 2: 7-11

Haviam 120 judeus homens e mulheres judeus transformados e cheios do Espírito. Não mais com medo das autoridades religiosas - não mais se encontrando secretamente no cenáculo, mas audaciosamente, publicamente proclamando sem medo, e em novas línguas para eles próprios, “as grandezas de Deus”.

Pedro se tornou o porta-voz deles. O conteúdo de sua proclamação declarava que seus profetas tinham profetizado este maravilhoso dia: “Mas o que ocorre é o que foi dito por intermédio do profeta Joel.” disse Pedro ( At 2:16) Ele declarou que Deus havia feito promessas a Israel : Yeshua/Jesus HaNatzri - Jesus de Nazaré, o Filho de Davi ( Mt 1:1)  foi aprovado por Deus Todo Poderoso , com milagres, maravilhas e sinais, para ser, sem dúvida , o Messias prometido. Ele foi morto, mas ressucitou e foi recebido à direita  do Pai Eterno. Assim, Yeshua/Jesus recebeu do Pai a promessa do Espírito Santo que enviaria deste dia em diante para suas vidas.” Entretanto, Pedro concluiu e afirmou, esteja absolutamente certa toda a casa de Israel de que a este Jesus a quem vós crucificastes, Deus o fez Senhor e Cristo”. At 2:36

Os peregrinos, judeus e gentios convertidos, exclamaram: “Que faremos, irmãos?” Como resultado da proclamação por Pedro das Boas Novas e da instrução sobre o que fazer, três mil almas tornaram-se crentes e obedeceram as leis Judaicas de “T’shuvah”e “T’velah”- arrependimento e imersão nos rituais de banho.

2-2- DEFINIÇÃO DE IGREJA

Aqueles judeus e gentios convertidos que acreditaram nas Boas Novas constituíram o primeiro corpo “regenerado” de um povo “chamado a ficar fora” por  Deus para formar um organismo que a história denominou “igreja”. Nas Escrituras Hebraicas, a “congregação” de Israel é chamada “haqahal”ou “q’hillah”( Ne 7:66 e Dt 33:4) .

Estas duas palavras são traduzidas na versão grega da Septuginta pelas palavras “synagoge”e “ekklesia”. Da primeira palavra derivou “sinagoga”e mais tarde , “eclesiastico”. Mas “ekklesia” significa uma pessoa “chamada a ficar fora”, em assembléia.

Na linguagem do Novo Testamento , a palavra significa um povo, judeu ou gentio, “chamado a ficar fora”  por Deus para formar o corpo do Messias com homens e mulheres regenerados.( Tt 3:3-7; Ef 1:22-23)

O corpo original de 3.000 Judeus e Gentios crentes no dia de Pentecoste cresceu numericamente muito rapidamente como resultado da volta dos peregrinos às suas terras e sinagogas onde eles difundiam as Boas Novas.

O Apóstolo Paulo encontrou Gentios em várias sinagogas que visitou na Ásia Menor, Europa e Grécia, como o livro de Atos registra. Ele também proclamava as mesmas  Boas Novas.

O Espírito Santo continuou dar “dons” distintos aos crentes que eles não poderiam aprender ou adquirir em qualquer escola. Estes “dons” estão registrados em I Corintios , capítulo 12 ao 14 ,inclusive.

As congregações locais precisavam de líderes que possuíssem os dons. O Espírito Santo dava dons aos homens em cada assembléia -“apóstolos, profetas, evangelistas, pastores e mestres “, como registrado na carta de Paulo aos Efésios, capítulo 4.

Assim, a “ekklesia ou igreja” crescia - um organismo vivo demonstrando ao mundo uma nova espécie de ser humano.

Na prática, essas pessoas “regeneradas” demonstravam aquilo que fora dito no início ser “uma benção universal para toda a espécie humana”.

O fruto do Espírito Santo na vida do crente produz : “amor, alegria, paz, paciência, benignidade, bondade, fidelidade, mansidão, domínio próprio”(Gl 5:22-23)

Como nosso mundo precisa desesperadamente dessas virtudes - dessa qualidade de vida!

Uma vez que “Deus é amor”- eterno, Seu perfeito amor no coração do crente lança fora o medo( I Jo 4: 16-18). Sinceridade, veracidade e honestidade são vistas na carne-e-sangue ( I Co 5:8). Estas pessoas exibiam uma atitude de amor com os companheiros, e elas viviam para proteger a propriedade e o bem-estar de sua sociedade ( Fl 2:4). Quando alguém “ recém-nascido” é tal pessoa, você não precisa trancá-lo em casa à noite!

Os crentes têm seus pecados esquecidos  e seu interior limpado para sempre. Deus declara: “...Eu mesmo sou o que apago suas transgressões, por amor de Mim, e dos teus pecados não me lembro..torna-te para Mim, porque Eu te remi”.(Is 43:25; 44:22).

Por 19 séculos, homens e mulheres têm recebido o perdão  e o Espírito Santo e têm se tornado embaixadores do Messias ( II Co 5:20) em continentes  e ilhas onde as trevas imperam, para falar aos seus semelhantes que “Deus amou ao mundo de tal maneira que deu o Seu Filho unigênito, paaraa que todo aquele que nEle crê não pereça, mas tenha a vida eterna”. ( Jo 3:16)

A civilização tem seguido a rota desses embaixadores. Homens emancipados têm tido lampejos como o Renascimento que tirou a espécie humana da Idade Média e período de Trevas; a Reforma do séc.16 pôs a única e inestimável Escritura Sagrada nas mãos dos indivíduos, e iluminou suas trevas.

 




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